
Exposição fotográfica em São
Paulo resgata invasão norte-americana à
República Dominicana
Estados
Unidos contaram com o auxílio de 1.100 militares
brasileiros na intervenção ao território
dominicano; general do Brasil comandou as tropas
Sob
o comando de um general brasileiro, 21 mil marines invadiram
em abril de 1965 a República Dominicana, segunda
maior ilha do Caribe, com o argumento de evitar o estabelecimento
de um novo governo comunista no hemisfério ocidental.
As tropas norte-americanas tiveram o auxílio
de 1.100 militares brasileiros, além de homens
de El Salvador, Costa Rica, Nicarágua e Honduras.
Na direção da FIP (Força Interamericana
de Paz) estava o general brasileiro Hugo Penasco Alvim.
A
invasão, ocorrida em 28 de abril de 1965, é
tema da exposição fotográfica “Guerra
do Abril del 1965”, que ocorre de 27 de fevereiro
a 4 de março, no Conjunto Nacional, em São
Paulo. Nas imagens, a ocupação do território
dominicano, os protestos pela retirada das tropas e
o enfrentamento de civis desarmados e soldados com fuzis
e revólveres. Entre as fotografias da exposição
está a premiada imagem clicada por Juan Pérez
Terrero. Na foto, um dominicano desarmado e com os punhos
cerrados enfrenta um soldado norte-americano armado
com fuzil AR-15. A premiada fotografia foi eleita com
uma das imagens do século XX.
O
cônsul da República Dominicana em São
Paulo, Héctor Dionísio Pérez, afirma
que as fotografias retratam a coragem e valentia dos
latino-americanos ao defender a pátria. “O
dominicano Senén Sosa (fotografado por Juan Pérez
Terrero) enfrentou apenas com as mãos um soldado
norte-americano armado com fuzil”, contou Pérez,
afirmando que a reação do soldado foi
se retirar e dar as costas ao dominicano. “O soldado
percebeu que não havia temor ou medo em morrer
defendendo a dignidade da pátria”, destacou
o cônsul.
Juan
Pablo Duarte, pai da pátria dominicana, afirmava
na época da independência, em 1844, que
“viver sem pátria é o mesmo que
viver sem hora”. E os ideais difundidos por ele
foram retomados pelos resistentes à invasão
norte-americana em 1965. “A República Dominicana
será livre e independente de toda potência
estrangeira ou a ilha se afundará”, pregava
Duarte.
Em
“Formação do Império Americano”,
Luiz Alberto Moniz Bandeira, um dos mais importantes
historiadores da América Latina, afirma que o
então presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson,
determinou “que 21.000 marines invadissem a República
Dominicana, onde ocorrera um levante militar, sob o
comando do coronel Francisco Caamaño Deno, que
pretendia devolver o governo ao ex-presidente Juan Bosch,
intelectual de esquerda, eleito em 1963 e seis meses
depois destituído por um golpe de Estado, sob
a acusação de ter simpatia por Fidel Castro
e possuir idéias comunistas”.
Ainda
segundo Moniz Bandeira, o presidente Johnson declarou
que a ordem para o desembarque de marines na República
Dominicana ocorreu porque as nações americanas
não poderiam, não deveriam e não
permitiriam o estabelecimento de outro governo comunista
no hemisfério ocidental.
“O
Brasil enviou 1.100 soldados para compor a FIP (Força
Interamericana de Paz), sob o comando do general brasileiro
Hugo Penasco Alvim”. A exposição
fotográfica “Guerra do Abril del 1965”,
é uma iniciativa do Consulado da República
Dominicana em São Paulo e do Escritório
de Promoção Turística da República
Dominicana. O evento integra as atividades em comemoração
ao aniversário de 163 anos da Independência
do país.
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